Por um mundo mais feminista

Quando eu me descobri grávida da Tereza comecei a repensar o meu papel na sociedade enquanto mulher. Eu passei a olhar para a minha condição de uma forma mais atenta e profundo. Eu olhei pra mim e para o mundo de uma forma que eu nunca tinha feito antes. Foi o meu primeiro contato com o feminismo. A minha vida mudou muito de lá pra cá. Não ficou mais fácil mas ficou mais justa.

Ser feminista, para mim, não é uma questão de escolha. Sendo eu uma mulher sinto que devo isso a mim mesma e também à todas as mulheres que conheço e que ainda hei de conhecer. É uma das minhas maiores contribuições para construir o mundo onde quero que a minha filha cresça.

E por falar em filhos, devo acrescentar que, como mãe a minha responsabilidade com o feminismo é ainda maior afinal, o mundo daqui a alguns anos será feito também pela minha filha. É qual é o mundo que eu quero pra ela?

Eu me pergunto todos os dias e pergunto pra você também: qual é o mundo que você quer para os seus filhos?

Se você, assim como eu, quer que eles crescem em um mundo mais justo saiba que esse mundo não se construirá sem a sua contribuição. Ou a gente coloca a mão na massa ou as coisas vão continuar como estão e, devo acrescentar que, do jeito que está não está bom.

A nossa sociedade continua patriarcal e os papéis masculinos e femininos ainda são bem definidos. Classificamos homens e mulheres dentro de determinadas categorias e perpetuamos as suas atuações dentro dessas áreas.

Às mulheres é esperado que busquem pelo casamento, maternidade e que saibam e gostem de cuidar da casa e dos filhos. Além disso, precisam ser bonitas, delicadas e estarem sempre arrumadas. Já os homens serão os provedores do lar. São eles que vão construir carreiras bem sucedidas e trazer o dinheiro para casa.

E Para que desempenhem bem suas determinadas funções, começamos a preparação desde cedo, logo nas primeiras horas de vida. Fazemos questão de deixar bem claro, para a sociedade, qual é o papel que essas crianças vão desempenhar. Cores específicas de roupas para cada sexo, brinquedos específicos para cada sexo, atividades no geral para cada sexo. Dê as meninas as coisas e atividades de meninas (bonecas, panelas, muitas coisas de princesas, balé, etc) e aos meninos coisas de meninos (carros, super heróis, futebol, etc).

Mas até quando vamos criar as nossas crianças dentro dessa gaiola da ignorância? Até quando vamos permitir que a vida e as oportunidades de uma pessoa sejam definidas por causa da sua identidade de gênero?

Se queremos um mundo mais justo, onde nossos filhos sejam felizes precisamos desde já a repensar a questão de gênero. Precisamos repensar as nossas relações, a maneira como enxergamos e interagimos com o mundo, precisamos reavaliar a maneira como estamos criando os nossos filhos. Precisamos sim encarar o feminismo como uma das formas de mudar esse mundo e eu acredito que o feminismo é um dos caminhos para que essa mudança aconteça.

Eu sei que o termo feminismo carrega consigo uma variedade de significados, muitos deles negativos. Sei que existem pessoas que repudiam veemente o termo e também as pessoas que carregam  essa bandeira e eu me pergunto  por quê?

Porque ir contra um movimento que em essência procurar construir um mundo onde homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades? Que luta por garantir segurança, independência, empoderamento à uma parte da sociedade que vem sendo objetificada, violentada, ignorada, subjugada desde que o mundo é mundo?

Eu não tenho as respostas para essas perguntas porque elas podem ser das mais variadas: ignorância, medo, comodidade, etc. O que eu tenho é um desejo imenso dentro de mim de fazer parte dessa mudança que eu quero ver. E eu começo pela minha vida, na minha casa com a minha família.

Eu quero propor, a partir de agora, algumas reflexões que temos feito aqui em casa na  educação que damos pra Tereza. Se você tem, cuida, se relaciona com alguma criança, eu quero te convidar a repensar a maneira como tem agido com elas e se de alguma forma, as suas atitudes tem contribuído para que elas sejam pessoas melhores, para elas mesmas e para os outros.

Vamos lá?

Rosa, azul, amarelo e todas as outras cores

Quantas peças de roupa, acessórios, brinquedos em tons de rosa a sua menina tem? Quantas peças de roupas, brinquedos, calçados em tons neutros e escuros o seu menino tem?

Pois é!

O mundo das nossas crianças pode e deve ser colorido. Não precisamos ficar presos na dicotomia do rosa e azul. Fazendo isso a gente limita, a gente restringe, a gente impoe, a gente condiciona os gostos pessoais deles.

Dá próxima vez que for comprar uma peça de roupa pra uma menina, por exemplo, dê um pulinho na seção dedicada aos meninos, você vai se surpreender com a quantidade de coisas legais que vai encontrar!

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Meu corpo, tuas regras?

Você tem uma filha? Se a resposta for sim, vou fazer outra pergunta: ela tem a orelha furada? Sim, vai ser a maioria das respostas pra essa pergunta porque grande maioria das meninas tem as orelhas furadas nos primeiros dias de vida. Você já se perguntou o por que  furar as orelhas das meninas assim tão cedo? Já se informou sobre os riscos desse procedimento? Já parou pra pensar que o corpo da sua filha não é seu e que esse furo é uma espécie de mutilação, uma violência contra ele?

Veja bem, eu não estou aqui criticando você que furou a orelha da sua filha, eu estou propondo que a gente saia do piloto automático e comece a repensar essas coisas todas que a gente vem fazendo ano após ano, com cada um dos nossos filhos. Quando eu adorno a minha criança com esses acessórios logo nos primeiros dias de vida (pra não dizer horas) eu estou dizendo pra todas as pessoas que essa criança é uma menina, eu estou dizendo à sociedade o que esperar dela. Eu estou dizendo, mesmo que inconsciente que para ser bonita é preciso estar enfeitada.

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Cadê a princesa do…?

Eu não sou contra as princesas. Gosto de várias delas, inclusive. E o problema pra mim não são as princesas mas sim a representatividade que elas tem na vida da maioria das meninas. A maioria das meninas que eu conheço tem uma princesa como principal referencia na vida e esse é o ponto. Elas crescem aspirando ser como uma dessas mulheres cujos objetivos principais são: ser linda e bem vestida e se casar com um cara lindo e rico.

Qual é o espaço que abrimos na vida das nossas filhas para Clarice Lispector, Ligia Fagundes Telles, Chica da Silva, Elis Regina, Elza Soares? Pra citar ainda as estrangeiras Frida Kahlo, Maria Callas, Camille Claudel, Michelle Obama? Como encorajamos as nossas filhas a serem mais do que bibelôs aos olhos dos outros?

Representatividade importa, e precisamos estar atentos para o que as nossas crianças tem consumido.

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Quem quer brincar de casinha?

Todas as crianças querem brincar de casinha. E todas as crianças também querem montar Legos, construir estradas para os caminhões e acreditar que são capazes de chegar até a Lua pilotando o foguete que eles criaram com a caixa de papelão que ia pro lixo. Todas as crianças querem dominar o mundo mas a gente diz pra elas (através desses brinquedos que damos de presente) que quem vai dominar o mundo são os meninos porque eles são melhores pra pilotar aviões e que as meninas vão ficar em casa, cozinhando, trocando fraldas e dando papinhas para os bebês.

Eu sei que é difícil pensar fora da caixa. A gente vem reproduzindo certos comportamentos por tanto tempo que eles acabam por fazer parte da gente mas da próxima que vez que for comprar um presente pra uma criança pense no adulto que você gostaria que ela se tornasse e faça uma escolha mais consciente. Isso pode mudar a vida dela. 😉

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Você é linda mas também…

É forte, inteligente, esperta, criativa, sensível, curiosa, determinada, guerreira, amorosa e tantas outras coisas. É linda por fora sim mas é linda por dentro também e a gente precisa dizer isso a elas. A gente precisa ajudá-los (aqui me refiro aos meninos também) na construção de uma boa autoestima com alicerces mais sólidos que não sejam somente da aparência física. Se os ajudarmos a olharem pra si mesmos com um olhar amoroso, sincero e gentil eles crescerão mais saudáveis e consequentemente mais felizes. E quem não quer conviver com pessoas felizes? Eu quero!

linda

Mais que irmãs, manas!

Sabe aquela mãe desnaturada que dá refrigerante para o filho, deixa a TV ligada o dia inteiro e nunca faz uma comida fresca? E tem aquela garota safada que tá saindo com um cara comprometido, sabe? Ah, e tem aquela outra que é toda tatuada e sai na rua mostrando o corpo inteiro e tem aquela que é uma invejosa e vive competindo com as outras pessoas. Sabe essas mulheres? Que não valem nada e merecem ser julgadas? E a  gente julga, sem dó nem piedade porque foi assim que aprendemos desde pequenos. E sabendo fazer isso tão bem nós ensinamos os nossos filhos já que eles estão sempre nos observando.

Então vamos quebrar esse ciclo. Vamos parar de encarar umas as outras como inimigas, vamos parar de nos sabotar, de nos julgar, de nos depreciar. Vamos mostrar aos nossos filhos que respeito é bom, todo mundo gosta e merece. Sororidade pra já!

manas

 

E pra terminar…

Homem que é homem…

Chora, lava e passa a roupa, cozinha, limpa a casa, é parceiro, dá ouvidos, evita julgamentos, cria os filhos juntos, abre mão dos seus privilégios (quando os tem), está na luta  com todas nós. ❤

man

O feminismo é para todos.

E antes de ir…

Quero indicar três livros e dois perfis no Instagram que são incríveis e vão te dar várias outras perspectivas sobre o feminismo.

Os livros são: Sejamos Todos Feministas e Para Educar Crianças Feministas, ambos da Chimamanda Adichie e o Como Ser Mulher da Caitlin Moran. Os três livros abordam o feminismo de uma maneira leve e descontraída, vale muito a leitura.

E os perfis no instagram são da Mirelle (@13anosdepois), uma brasileira que mora na França e cria a filha dela, a Alice, de um jeito incrível. Ela e o marido super levantam a bandeira do feminismo e eles são muito inspiradores.

O outro perfil é o da Eliana (@maternitylivre), também brasileira que mora em Portugal, mãe da Luna e do Apollo, e que produz muito conteúdo legal sobre maternidade e empoderamente feminino. Pelo nome do perfil dela já dá pra perceber, né?

 

Agora eu vou. Obrigada a você que chegou até aqui. 😉

 

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