Viajando com animais: o meu processo para trazer o Marvin pra República Tcheca

Já se passaram 3 anos e meio desde que o Marvin e eu chegamos na República Tcheca e eu ainda não tinha falado sobre o processo de trazer ele pra cá aqui no blog. Eu sempre recebo muitas perguntas sobre esse tema e eu acabo respondendo individualmete pra quem pergunta na hora mas como estamos indo embora daqui e mais uma pessoa entrou em contato comigo perguntando sobre processo decidi por fim escrever o post e aí fica de consulta pra quem mais quiser saber.

Antes de começar, quero ressaltar que eu fiz esse processo entre 2014/2015 e alguns procedimentos podem ser diferentes hoje em dia mas de qualquer modo fica o meu relato pra servir de base para quem vai passar por algo parecido. Vamos lá:

 Parte 1 – Qual é o destino?

Cada país pode ter regras e procedimentos específicos para receber animais de outros países então a primeira coisa a fazer é pesquisar sobre as exigencias do país pra onde se está indo. A República Tcheca não tem (não tinha pelo menos quando eu cheguei) regras específicas então se aplicaram as regras gerais para países da União Européia. E é sobre esse processo que eu vou falar aqui

Passo número 1: Microchip

A primeira coisa que fizemos foi implantar o microchip no Marvin já que ele não tinha. Fomos numa clínica veterinária que fazia o serviço e tinha o microchip no padrão ISO que é aceito na União Européia. É importante verificar essa informação pra não correr o risco de ter problemas na leitura no país de destino.

A aplicação foi bem rápida eu paguei R$ 80,00 na época no microchip com a aplicação.

Passo numero 2: Vacina contra raiva.

Mesmo que seu cachorro tenha sido vacinado contra raiva recentemente (como foi nosso caso) você vai precisar dar outra vacina para iniciar o processo.

Passo numero 3: Sorologia de raiva

30 dias depois que o seu cão tomou a vacina é preciso fazer o exame de sorologia de raiva, um exame que vai medir a quantidade de anticorpos para raiva presente no sangue do animal, “o nível de anticorpos de neutralização do vírus da raiva no soro deve ser igual ou superior a 0,5 UI/m”.  A colheita da amostra é feita por um veterinário e a análise é realizado por laboratórios credenciados aos países que vão receber o animal. Aqui nessa imagem consta a lista dos laboratórios credenciados atualmente pela União Européia para fazer a análise:

sorologia

No meu caso, a veterinária do Marvin fez a colheita da amostra e eu mesma levei ao Centro de Zoonoses em São Paulo. É importante que o veterinário saiba fazer a coleta adequadamente pra não invalidar a amostra.  A nossa veterinária nunca tinha feito até então, eu entrei em contato com o laboratório, eles me enviaram e-mail com as instruções sobre a coleta e encaminhei pra ela.  O resultado do exame chegou na clinica da dela, 30 dias depois. Eu paguei pela coleta e tinha uma taxa do laboratório também mas eu não me lembro dos valores.

Passo numero 4: Quarentena de 90 dias

A partir da data do exame de sorolgia é preciso experar 90 dias para o animal viajar. Isso se der tudo certo com o exame. Se o resultado do exame não der certo é preciso comecar o processo de novo: vacinar contra raiva e fazer um novo exame se sorologia.

O Marvin era filhote quando começamos o processo então não tive nenhum problema com os exames dele mas por questão de segurança eu só comprei as nossas passagens quando o resultado da sorolgia saiu e me certifiquei de que estavamos respeitando o prazo dos 90 dias.

Passo numero 4: Atestado de Saúde + CVI

Quando faltar 10 dias pra sua viagem (não pode ser mais do que isso porque o documento só vale 10 dias) é hora de ir pegar o documento mais importante: o CZI – Certificado Zoosanitário Internacional. Esse é o documento que permite o embarque e a entrada do animal no país de destino. Ele é emitido pelo Ministério da Agricultura (MAPA) nos aeroportos internacionais e como eu disse tem validade de apenas 10 dias. Pra retitar esse documento é preciso agendar um horário (eu fiz o agendamento assim que comprei as passagens) e levar alguns documentos:

  • atestado de saúde do animal, emitido pelo veterinário (emitido em até 72 horas)
  • requerimento de solicitação do CVI 
  • documentos extras do animal (carteira de vacinação, passaporte, etc)

Mesmo já estando em São Paulo um tempo antes da viagem eu resolvi voltar pra Campinas pra pegar o CZI no aeroporto de Viracopos porque quando fui agendar em Guarulhos eles pediram pra ir no mesmo dia da viagem e eu fiquei com medo de dar alguma coisa errada. Além do mais eu já tinha ido lá pra fazer o passaporte do Marvin e o processo lá era mais tranquilo e rápido. Peguei o CZI três dias antes da viagem. É muito importante respeitar aquele prazo de 90 dias pra ir pegar esse documento, caso contrário eles não vão emitir. Se você chegar lá com 89 dias eles vão pedir pra você voltar no dia seguinte.

Parte 2 – Preparação para a viagem

Depois de receber o resultado da sorologia eu comecei a preparação para a viagem. Fiz a compra das passagens e comprei a caixa de transporte. Naquela época eu estava me baseando nas experiências da Natalya que estava fazendo o mesmo processo com o Charlie e vindo exatamente pra cá, e da Debbie do Pequenos Monstros que tem até um e-book sobre viajar com animais de tanto que ela manja do assunto.

Como a Debbie recomendava a Lufhtansa pra viajar com animais eu fui direto nessa companhia. Eu nem considerei outra  porque eu não queria colocar a vida do meu bichinho em risco.

Pra comprar as passagens eu liguei na companhia aérea, informei a atendente o voo que eu planejava comprar e perguntei se havia vaga disponível pra transportar um cachorro de porte médio. Ela disse que sim e me orientou a comprar a passagem e logo em seguida ligar pra reservar a vaga dele. Comprei a passagem e em seguida fiz a reserva dele no meu voo. Pra fazer a reserva ela pediu algumas informações dele como raça, idade, tamanho, peso  e peso aproximado com a caixa.

Pra comprar a caixa de transporte eu também não pesquisei muito, fui naquela que a maioria dos lugares dizia ser uma das melhores: as da Vari Kennel. Uma amiga minha me levou numa petshop, eu olhei a caixa e fiz a compra pela internet. Pelas normas internacionais de transporte se o cachorro vai no bagageiro, como foi o nosso caso, a caixa não pode ter rodinhas,  precisa ser grande o suficiente pra ele ficar de pé na caixa, sem abaixar o pescoço e conseguir dar uma volta em torno de si mesmo. A caixa que eu comprei foi essa aqui, tamanho extra grande, paguei na época R$ 900,00.

No meio do processo, eu sempre ligava na companhia aérea para confirmar a reserva do Marvin no voo. Como eu não tinha nenhum documento atestando que ele teria um lugar no avião eu queria me certificar de alguma forma de que não teria problemas no dia da viagem. Ainda bem que não tive.

Parte 3 – A viagem

A nossa viagem foi bem tranquila. Chegamos no aeroporto 4 horas antes do voo e fiz o checkin na maior tranquilidade.  Preenchi alguns documentos e um formulário pra orientar o veterinário que olharia o Marvin no Aeroporto de Frankfurt, durante a conexão. O atendente da Lufhtansa fez questão de me tranquilizar dizendo que o Marvin era tão importante quanto qualquer outro passageiro. 🙂

Eu não fiz nada de especial no dia, alimentei ele como de costume e levei um pouco de água e comida pra oferecer antes de despachá-lo. Não coloquei nada na caixa além de tapete higiênico. A orientação que recebi era de que durante a conexão, um veterinário iria checar ele e oferecer água e comida.

Depois de despachar as minhas malas, fui até um outro guichê da companhia pra pagar a taxa de embarque dele, em torno de R$ 1300,00 na época, e daí foi só esperar. Eu o despachei uns 30 minutos antes de começar o meu embarque. O coração fica na boca mesmo e passa um monte de coisa pela cabeça mas não tem muito o que fazer. Essa é a hora de confiar no trabalho feito até então. Eu escolhi a melhor companhia, comprei uma ótima caixa, segui todas as recomendações que me foram dadas e agora era só esperar.

Parte 4 – A chegada e os dias de um cão feliz

Chegando em Viena fui direto procurar por ele. O bichinho estava desesperado. Na hora que me viu ficou numa alegria só e meu coração voltou a bater compassado. Tirei ele da caixa e fomos passar pela alfandega. Ali correu tudo bem, entreguei os documentos dele, passei o scanner no chip e em poucos minutos estávamos liberados e aí veio o alívio e a alegria especialmente por saber que ele teria uma vida ótima aqui. E está tendo. É um cão saudável e muito feliz. Vai com a gente pra todos os cantos porque todo mundo aqui gosta de cachorro e não há lugar melhor para um bicho viver do que aquele onde ele é bem vindo.

Foi burocrático, demorado e cansativo fazer todo esse processo (o rolê todo durou 4 meses) mas, pra mim, nunca foi uma opção não trazer o Marvin com a gente. No momento em que eu fui buscá-lo lá na casa da Carol da Amor de Bicho ele passou a fazer parte da nossa família e vai com a gente pra onde a gente for. ❤

 IMG_9922.jpg

Acho que consegui colocar nesse post tudo o que eu gostaria de dizer e espero, de coração, que te ajude nesse processo. Se tiver dúvidas ou quiser outras informações pode me escrever que a gente continua conversando. Não desista do seu bichinho, se informe, se planeje, tenha paciência e doses generosas de amor que vai dar certo.

Até o próximo post!

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