10 coisas que aprendi quando me tornei mãe

Todo mundo sabe que a maternidade muda radicalmente a vida de uma mulher e embora a grande maioria de nós tenha consciência disso nem sempre estamos preparadas pra essas mudanças e, nem sempre acreditamos que elas vão ser realmente intensas e desafiadoras. Absolutamente nada nos prepara para a maternidade. Podemos ler milhares de livros, falar com diversas pessoas, pedir conselhos aos nossos pais e aos amigos mais experientes mas, quando chega a nossa vez, percebemos que tudo é diferente e mais profundo do que imaginávamos.

Faz parte do processo reconhecer que muito pouco sabemos e assim se permitir embarcar nessa nova jornada. Algumas coisas a gente aprende mais rápido outras vão levar meses e até anos e ainda tem aquelas situações que a gente vai lidar por toda a vida e ainda assim vai continuar meio que sem saber. Não tem como fugir é assim pra qualquer mãe.

Pra falar um pouco mais sobre isso, resolvi compartilhar algumas coisas que aprendi nesses 3 anos desde que me tornei mãe. Algumas eu imaginava mas aprender mesmo só quando tive uma bebezinha nos braços pra chamar de minha. ❤

1. Exemplo é tudo.

Quando se tem filhos uma coisa que gente precisa ter em mente é que o exemplo é tudo! Aquela história de “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço” definitivamente não funciona com criança pequena. Elas copiam tudo, absolutamente tudo. Isso foi uma coisas que as professoras da escola da Tetê fizeram questão de enfatizar durante a primeira reunião de pais. O adulto precisa ser digno de ser imitado pois essa é a grande base do desenvolvimento moral de uma criança.

Eu passei a observar e acompanhar com mais rigor o meu próprio comportamento. Mudei a minha alimentação, a maneira como lido com a minha imagem, o meu jeito de falar, de me vestir. É claro que vez o outra, escapa uma palavra não tão educada ou acabo comendo uma comida não saudável mas eu sempre tenho comigo que a maneira como eu me posiciono na vida é a principal referência que a Tetê vai ter, então eu  me esforço pra ser a melhor versão de mim mesma que eu posso ser. 🙂

2. O tempo passa realmente depressa

Sabe aquela velha história que todo pai fala de que os filhos crescem rápidos demais? Pois não é que é verdade?! É verdade e é difícil aceitar isso. As coisas com crianças pequenas acontecem rápido demais: num dia elas estão mamando no peito e no outro já começam a comer comida sólida, numa tarde estão engatinhando no chão e algumas horas depois ficam em pé e começam andar. Numa noite você vai dormir com um bebê sorridente e banguela e no outro, como num passe de mágica, tem um dente lá pra completar o sorriso e te lembrar que ele está crescendo.

É muito louco, as crianças evoluem muito rápido e o sentimento de que estamos perdendo aquilo é tão constante que a gente acaba até se acostumando. O jeito que eu encontrei pra lidar melhor com isso foi criando memórias, eu fotografo muito, faço muitos vídeos e guardo pequenos objetos numa espécie de caixa de tesouros. Assim eu vou manter a minha pequena sempre pequena dentro de mim.

3. O mundo é bom, bonito e verdadeiro.

Isso aqui eu aprendi e tenho aprendido mais na Pedagogia Waldorf. É um conceito tão profundo que eu não vou conseguir falar sobre tudo aqui mas, de uma forma bem resumida, esses são os pilares da educação Steineriana e em cada um dos setênios (ciclo de sete anos) são abordados esses pilares de bondade, beleza e verdade. A Tetê está com três anos e faz parte do primeiro setênio e nessa fase a criança não julga, confia abertamente nas pessoas e na vida, copia os adultos ao redor e pra ela não há maldade no mundo. Nós adultos sabemos como o mundo é mas a criança pequena (obviamente a que não está numa situação de conflito, violência, fome e etc…) não sabe. Esse é um ótimo momento para mostrarmos pra elas a beleza do mundo, das pequenas coisas, da importância da presença. Quando ela crescer ela vai saber como o mundo realmente é e com bondade, beleza e verdade vai poder agir sobre ele.

4. Que tudo pede um pouco mais de calma

Um dia, numa palestra num centro espírita, ouvi uma pessoa dizer que ninguém tem paciência porque a paciência é uma virtude e as virtudes precisam ser adquiridas ao longo de toda uma vida. Ouvir aquilo foi um divisor de águas pra mim e tem sido uma fonte diária de inspiração pra eu construir a calma necessária pra educar a minha filha. Educar exige calma, essa é uma das lições mais valiosas que aprendi. Se uma mãe tem muita pressa as coisas vão dar errado, ela vai perder algo de importante e vai ser arrepender depois (arrependimento e culpa é quase que sobrenome de mãe). As crianças aprendem rápido mas o desenvolvimento e aperfeiçoamento de habilidades levam tempo, às vezes anos (como é o caso da fala) então não dá pra ir com pressa. É desafiador demais mas, como disse a palestrante do centro espírita, ter calma é uma virtude e a gente tem a vida inteira pra se aperfeiçoar. O importante é continuar sempre tentando.

5. Só uma mãe é capaz de compreender outra mãe

Eu já dei “conselhos” para várias mães quando eu ainda não era mãe (deus, como me arrependo disso!) e também já recebi vários conselhos de pessoas que não são mães mas a verdade é que só uma mãe é capaz de compreender outra mãe.

Quando ainda não temos filhos é muito fácil julgar uma mãe e sua forma de maternar: “como assim essa criança está gritando na rua, fazendo escândalo no mercado?”, “nossa, mas ele fica o dia inteiro em frente à TV”?, “ouvi dizer que açúcar pra criança pequena é um veneno”.

Todas essas situações que eu descrevi acontecem aos montes. Quase todos os dias vamos ver uma criança gritando em lugares públicos, vidrada em frente à televisão/celular/tablet ou comendo comida cheia de açúcar, gorduras e conservantes.  Até mesmo aqui na Europa onde todo mundo diz que as crianças são mais educadas. Antes de ser mãe eu poderia pensar que a mãe dessa criança era relaxada, não tinha pulso firme pra interromper um birra, etc. Hoje, ao me deparar com uma situação assim a primeira coisa que eu sinto é vontade de abraçar essa mãe e dizer: tudo bem, eu te entendo e se precisar estou aqui pra te ajudar!

Por trás de cada um desses comportamentos infantis podem existir uma infinidade de motivos. Uma criança que está gritando ou chorando em lugar público por exemplo, pode estar cansada, com fome, com sono, o que eu chamo a tríade do terror. Uma criança em uma dessas condições ou com várias delas ao mesmo tempo é uma bomba relógio. Pode descer o anjo Gabriel pra falar com ela que não vai resolver. Às vezes ela não dormiu direito, às vezes foi hostilizada (isso acontece muito com criança pequena), as vezes passou o dia inteiro longe da mãe e está sentindo uma carência grande, às vezes simplesmente tá chorando porque quer um brinquedo que a mãe não pode comprar e lembre-se que a criança pequena não compreende o mundo adulto, ela não sabe o quanto custa um brinquedo e não entende o porquê ela não poder ter o mesmo brinquedo que uma criança parecida com ela tem.

Às vezes essa criança está exposta às telas e comendo muito açúcar porque a mãe não tempo ou simplesmente porque a mãe não sabe que essas coisas fazem mal. Acredite em mim, muitas pessoas não sabem que assistir TV é extremamente prejudicial pra crianças (quanto mais pequena, pior) e mesmo as que sabem, como é o meu caso. Eu sou formada em Pedagogia, sei sobre os perigos da exposição desde muito antes da minha filha nascer mas as vezes eu coloco ela na frente da TV sim, seja porque eu estou cansada ou porque preciso fazer alguma coisa importante. Eu não tenho nenhum tipo de ajuda e às vezes encontro na TV o alívio que estou buscando na minha rotina. Não é o que eu gosto de fazer mas às vezes eu me aproveito desses recursos sim.

6. Que as mães são invisíveis

Quando um filho nasce, nasce também uma mãe e sua habilidade em se tornar invisível. Não é bem algo que a gente queira que aconteça mas acontece: as pessoas simplesmente não estarão mais aí pra você, o negócio delas é o bebê! Quando você chega na casa de alguém as pessoas nem te cumprimentam, já vão pedindo pra pegar o bebê no colo e por aí vai. Minha irmã, que mora no Brasil, depois de eu dar umas “bronquinhas” resolveu me falar pelo menos um bom dia antes de perguntar da Tereza.

Não importa o quanto você está cansada, carente, precisando de alguém pra conversar, as pessoas só querem saber o quão fofo, lindo e esperto é o seu filho.

Aqui na Itália está sendo impressionante, as pessoas atravessam a rua pra falar com a Tereza. Outro dia uma vizinha, gritou e acenou para ela do outro lado de uma rua super movimentada. Se me cumprimentam? Nem sequer sabem que eu existo. As pessoas do prédio sabem que nós somos os pais da Tereza e só.

É a vida. O jeito é se acostumar mesmo.

7. Que uma casa limpa é utopia

Ter uma casa limpar e organizada é bom e quase todo mundo gosta mas se você quer ficar em paz com a sua maternidade precisa aceitar que isso não vai rolar, principalmente no primeiro ano e especialmente se você não tiver nenhum tipo de ajuda. A gente não dá conta de cuidar do bebê, cozinhar, limpar tudo e cuidar de si mesma.

Durante a gravidez a gente até pensa que dá, que as outras mães que estão dizendo que não dá (como eu aqui) são exageradas e não são tão ágeis e espertas e que você vai conseguir sim, mas não dá mesmo. Só agora que a Tereza está com bastante independência é que estamos chegando num nível aceitável de organização mas até chegarmos aqui, cantei muito aquela famosa canção do filme Frozen: Let it go, let it go… enquanto olhava a minha casa virada ao avesso.

8. Que um parquinho no meio da cidade é capaz de salvar um dia ruim

Se tem uma coisa que eu não gostava quando era criança era ir em parquinhos. Nunca gostei de competir e não há lugar onde as competições são mais acirradas que ali. Poucos brinquedos para dezenas de crianças e no fim é sempre choro, desistência, frustração e a pior de todas, a pressão pra ir mais rápido porque outras crianças estão aguardando a sua vez. Quando eu comecei a ter um pouco mais independência eu simplesmente abandonei as idas ao parquinho esperando nunca mais ter que voltar mas a Tetê ama correr, ser pressionada e competir pelo espaço com as outras crianças e de tanto andarmos pelos parques da vida acabei descobrindo alguma utilidade em estar ali: salvar a gente dos dias ruins, aqueles dias em que você não está legal, precisando de um tempo. Quando parecer que a casa vai desabar na sua cabeça, levar a criança ao parquinho pode ser a solução.

9. Que até às mães precisam de folga

Amamos nossos filhos, isso é uma verdade. Mas, ter alguns momentos (se for dias, melhor ainda) para não ter que se preocupar com eles é extraordinário. Ser mãe leva uma mulher além dos limites da suas capacidades físicas, mentais e emocionais e às vezes a gente precisa de um tempo de folga para não explodir. Se não der pra ser aquela viagem de alguns dias, pelo menos um jantar com amigos, um cinema sozinha no fim da tarde ou simplesmente aqueles minutinhos sozinha pra olhar algumas vitrines. Acredite, até mesmo olhar o preço das coisas nas lojas pode ser uma tarefa difícil pra uma mãe.

10. Que eu não sabia absolutamente nada sobre o amor

Lendo meu texto até aqui percebi que eu falei demais sobre as dificuldades da maternidade. É porque é difícil mesmo mas a gente aguenta sabe por quê? Porque a gente ama e ama muito mesmo os nossos filhos. E sabe o que é mais curioso? É que não é um amor que a gente consegue mensurar e nem comparar com qualquer outro sentimento que tenhamos experimentado. Não é do tipo de amor que a gente lê nos livros ou vê nos filmes. Acho que é o tipo de amor que deve se comparar com o amor divino que aumenta e se renova a cada dia e deixa em nosso coração um espaço que nos diz que ainda somos capazes de amar mais e mais. E nós somos mesmo.

 

❤ ❤ ❤

 

 

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